Ah, as novelas da Globo… aqueles monstros sagrados da telinha que já fizeram gerações se emocionar, chorar e até esquecer de jantar. Quem não vibrou com Avenida Brasil, Vale Tudo, A Favorita ou O Outro Lado do Paraíso? Histórias que grudavam na mente, personagens que se tornavam praticamente da família, e aquele plim plim que era música para os ouvidos de qualquer noveleiro.
Mas, convenhamos: ultimamente, parece que algo mudou. O que aconteceu com a Globo, que já ditava moda em dramaturgia e agora tropeça em roteiros como quem pisa em Lego descalço? Será que o culpado é a tecnologia, com jovens conectados 24/7 nos celulares, nos games ou nas redes sociais? Ou será que o vilão é o streaming, que capturou o público com séries que, pasmem, têm enredos coerentes e finais que fazem sentido?
A lógica foi tirar férias?
Se você assistiu algumas das novelas mais recentes, sabe do que estou falando. Um dos exemplos mais… digamos, “inusitados”: Nayane se passando por Diana no lugar da Agrado. Sério, alguém aí entendeu isso? Nem a própria dramaturgia deve ter entendido, e olha que estamos falando de uma das maiores emissoras do país. É quase como se a Globo estivesse jogando “adivinhe quem é” com o público.
E não é só um caso isolado. Pegue Coração Acelerado: um enredo fraco, genérico, sem conexões emocionais ou narrativas impactantes. Histórias que parecem saídas de um gerador aleatório de telenovelas. Se a intenção era testar a paciência do público, parabéns, funcionou.
Três Graças, por outro lado, vive em um looping eterno: roubo de estátuas, policial apaixonado que trabalha mais como Uber da mocinha do que como detetive… e pronto. Tudo isso com o pobre Romulo Estrela fazendo o esforço hercúleo de transformar um personagem caricato em protagonista de peso. Resultado? Quase um déjà vu de Mania de Você, mas sem o charme. Ironia? Temos de sobra.
Quando a Globo acerta: raros momentos de glória
Mas nem tudo está perdido. A última novela que realmente entregou foi A Garota do Momento. Aqui, sim, a Globo estava inspirada: estética impecável, elenco afinado, enredos relevantes, reviravoltas de tirar o fôlego e acontecimentos que realmente prendiam a atenção. Um verdadeiro prato cheio para quem ainda acredita no poder da boa teledramaturgia.
Conclusão: sobe e desce… mas mais desce
O panorama atual das novelas da Globo é um sobe e desce digno de montanha-russa — mas, convenhamos, a descida é muito mais longa. Algumas produções até conseguem capturar o público, enquanto outras imploram para serem abandonadas no meio do caminho.
O que um noveleiro espera? Uma boa história que faça sentido, personagens com química de verdade, e plot twists que surpreendam sem parecer que alguém jogou palavras aleatórias no roteiro. Em outras palavras: o plim plim ainda pode tocar, mas precisa vir com música de qualidade.
Fiquemos atentos, porque a telinha brasileira ainda tem magia. Só precisamos que a Globo não se esqueça de como fazê-la brilhar.

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